Maternidade: a polêmica atual do mundo feminista

Ultimamente tenho visto inúmeros artigos sobre o tema maternidade, a escolha de ser mãe e, principalmente, a escolha de não ser mãe. Um assunto que divide as opiniões e tem gerado polêmica entre as minorias.

É bem interessante ler os artigos de mulheres defendendo a opção de não ter filhos. E como tem gente criticando. Tem vários argumentos e contra-argumentos interessantes nesses posts. Leio coisas como “todas tem direito de escolha”, “não ter filhos é uma escolha da mulher”, “relógio biológico é pressão social”, e por aí vai.

Coisas que eu penso e nunca entram em debate e tem tudo a ver com o sexismo e a pressão social em ter filhos: o homem falar que não quer ter filhos não gera polêmica. Melhor dos casos, todos apoiam a decisão. Mas uma mulher dizer que não quer ter filhos? Melhor falar que não acredita em Deus.

É engraçado como milhares de anos numa sociedade machista cria mitos como “chamado da natureza”, “relógio biológico”, “mulher que não tem filhos é vazia” e, meu favorito, “mulher que não quer filhos é egoísta”.

Eu declaradamente não quero ter filhos. Já quis, mas nunca filhos naturais. Sempre disse que queria adotar. Fui criticada quando disse isso. Eu tinha até um plano: comprar um apartamento, ter um carro e estabilidade financeira até os 35 anos. Então, eu entraria para o programa de Padrinhos da Vara da Infância e Juventude e, em dois ou três anos, adotaria meu afilhado.

Eu realizei vários passos para isso: comecei a trabalhar no abrigo municipal e coletei todas as informações sobre o programa; comprei meu apartamento e comecei a guardar dinheiro para meu carro. Cheguei ao 35 anos com a estabilidade financeira que eu queria. Mas zero desejo de ter um filho, mesmo adotado.

Não me entenda mal. Eu adoro criança. E crianças sempre gostaram de mim. Minha família diz que crianças tem atração por mim. Talvez porque eu seja uma enorme criança de 37 anos. Talvez porque eu consigo me comunicar com elas. Não sei.

Mas com o passar dos anos, o encanto da maternidade esvaneceu. Talvez porque ele nunca realmente existiu. Hoje, não tenho vontade nem de adotar uma criança.

Por vários motivos. Por minhas inseguranças. Pelo fato de que eu não sei lidar com uma criança depois de algumas horas. Pelo fato de que eu não queira me doar 100% para outra pessoa. Ou pelo fato de que eu não quero ninguém dependendo de mim 100% do tempo.

Nesse ponto, concordo que sou egoísta. Quero tempo para mim. Quero fazer as coisas do meu jeito. Não quero ser responsável por outra vida.

Tenho uma profissão muito estressante, intensa e que me consome extremamente. Colocar uma criança na equação seria aumentar o estresse e a pressão.

Admiro muito as mulheres que decidem conciliar essas duas vidas. E muito mais as que conseguem. Eu não conseguiria.

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