Eleições 2016: Prefeitura de Campinas

Apesar de eu não morar em Campinas – e não ter transferido o título esse ano – tenho acompanhado as eleições meio de longe, até porque passo 75% do meu dia por aqui. E também porque conheço a política da cidade, já que vivi aqui mais de 30 anos da minha vida.

Estamos na última semana antes das eleições e a apelação está rolando solta. E eu estou na dúvida sobre qual candidato está apelando mais.

Temos três candidatos concorrendo e o atual prefeito tentando a reeleição. Vou focar nos candidatos-apelação e deixar o Jonas Donizete em paz dessa vez.

Os cadidatos são: Hélio, Pochmann e Orsi.

Começando pelo mais fácil: Hélio. Foi caçado quando prefeito e isto foi há menos de 10 anos. No seu segundo mandato, um escândalo foi descoberto (se essa é a palavra correta, pois o esquema Sanasa já era bem conhecido); operação da polícia federal prendeu vereadores e sua esposa. O processo ainda está em andamento, mas o TSE decidiu por revogar seus direitos políticos por oito anos. Aqui estão alguns links para leitura complementar:

Câmara rejeita contas do Dr. Hélio e ele fica inelegível até o ano de 2024

Justiça condena mulher de Dr Hélio a 20 anos de prisão

Prefeito de Campinas é cassado após 44 horas de julgamento

Hélio entrou na briga esse ano só para mostrar que pode. Não pode se eleger por decisão do TSE. Se candidatou através de uma liminar, mas a justiça eleitoral já confirmou que, mesmo que eleito, não poderá tomar posse. Ou seja, ele está aqui só pra provar a teoria de que a população não sabe o que está fazendo. E, para piorar, sua teoria está se provando verdade: é o segundo colocado nas pesquisas de intenção de voto.

Ele começou a campanha usando frases prontas como “nada foi provado contra mim” ou variações do “fui vítima das circunstâncias”. Eu sempre comento que, de fato, Hélio pagou o crime de várias gerações. Não que ele fosse inocente, pois ele também participou do esquema. Mas não foi ele quem inventou.

O que mais me irrita durante o período pré-eleitoral, e que Hélio usa e abusa em sua campanha, é o “usar o chapéu do outro”, ou seja, esse mundo sujo da política de interesses. Sua campanha essa semana fala de, pelo menos, duas coisas que não foi ele quem fez. Na propaganda da TV, Hélio diz que a) criou o bilhete único e, b) fez a ampliação de Viracopos.

Primeiro, o bilhete único já existia antes do Hélio. O bilhete eletrônico foi lançado pela primeira vez em Campinas no mandato do Jacó Bittar, no início dos anos 90, e adotou o conceito de bilhete único, ou seja, poder usar duas a três conduções seguidas no período de uma hora, no final da mesma década. Vou ser sincera e não me lembro quem deu o nome, talvez tenha sido o Hélio, mas não foi ele que criou o conceito.

Segundo, a ampliação de Viracopos é uma obra do governo do estado. Há anos que estavam em negociações as desapropriações de áreas no entorno do aeroporto para realizar a obra. Além disso, desde a década de 90 que havia um lobby de Congonhas que impedia essas obras. A balança começou a pender a nosso favor quando a Azul decidiu montar seu hub de operações em Viracopos, transformando o aeroporto em um terminal de passageiros de verdade. Não desmerecendo nenhuma ação que o governo Hélio tenha tomada para ajudar no processo, também não foi sua obra.

Pochmann. Esse está me irritando profundamente com sua campanha. Ele só fala que vai criar coisas que já existem. Eles poderiam, pelo menos, ser mais honestos e falar de onde vem a verba. Por exemplo, Pochmann diz que vai “criar” mais escolas integrais. Isso é um projeto do governo federal que vem ocorrendo desde 2001. Campinas só não usou essa verba ainda porque não tem plano pedagógico para fazer a migração.

O que me leva a falar um pouco do Donizette, que usou esse programa para criar as tais “escolas mais querer” (me corrijam se estiver errado o nome). Mas também não fala que faz parte desse projeto federal.

Já o Orsi, coitado. Há anos tenta se eleger para a prefeitura nas sombras do pai, que foi prefeito na década de 90. E ele já está na linha “estou apelando para tentar o segundo turno”. Ouvi ontem no rádio uma frase que me tirou do sério: “me dêem a chance de motrar que Campinas merece um governo melhor”. Por quê? Campinas já não merece? É incrível como as frases são mal construídas. Se ele tivesse dito algo do tipo: “Campinas merece um governo melhor. Me dêem a chance de mostrar que eu farei esse governo.” isso seria outra coisa.

Enfim. Como sempre, temos candidatos que baseiam sua campanha em frases de efeito, que só tem palavras-chave que clamam ao emocial do cidadão, mas no fundo não tem fundação sólida. A população se deixa levar pela emoção e vota naquele que consegue tocar mais profundamente as ferias, mas não aquele que realmente mostra uma solução para os problemas. Até porque, nas campanhas, os candidatos não tocam nesses assuntos. Porque o racional não ganha campanha.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s