Português = Matemática… claro!

É muito engraçada essa divisão que fazemos das pessoas entre as que são mais aptas a Humanas, Biológicas ou Exatas. Muita gente acaba usando isso como uma definição do seu próprio ser e cria uma série de preconceitos e bloqueios com as outras áreas sem se dar conta de que, no fundo, esse tripé é o que sustenta qualquer profissão.

Não importa qual a área que você escolheu para sua profissão, o fato é que de Matemática básica, Idiomas e noções gerais de Saúde e Ambiente todos precisam para viver.

Outro dia estava conversando num almoço com alguns colegas de trabalho sobre o modelo educacional que temos implantado no Brasil, focado em concluir um conteúdo programático e não em auxiliar o aluno a construir seu conhecimento, relacionar as disciplinas e formar uma base para seu desenvolvimento constante. O resultado é que a maioria não sabe estudar, é desorganizado nos estudos, tem muita dificuldade em trabalhar em grupo, dividindo as tarefas, e, em geral, acha que escola é ruim e que, quando começar a trabalhar, nunca mais precisará estudar na vida. Mistura perfeita para criar uma geração de trabalhadores despreparados, desmotivados e decepcionados.

Ouço muito as pessoas dizerem coisas como “Odeio matemática”, “Português é muito difícil”, “Estudo só pra passar”. Claro que cada pessoa terá mais facilidade ou dificuldade com uma disciplina de acordo com suas aptidões e com as conexões que ela consegue fazer. Eu nunca tive muita dificuldade com nenhuma disciplina. Sempre tive bom aproveitamento tanto nas exatas quanto nas biológicas e nas humanas. Lembro de um teste vocacional que eu fiz e que a porcentagem de exatas e humanas ficou virtualmente igual. Tanto que na análise saiu um calhamaço de profissões que eu podia seguir. O sistema não estava preparado para analisar alguém que não tivesse forte tendência em uma única área….Lembrando de como foi meu processo de aprendizado na escola, e depois de estudar sobre teoria do aprendizado, cheguei à conclusão de que aprendo melhor com os métodos construtivistas. Nunca gostei e nem precisei decorar os textos para fazer provas. Não tenho lembranças de passar mais horas estudando do que assistindo TV, brincando com a minha irmã ou jogando videogame. Sempre fiquei decepcionada de ter disciplinas com tão pouca relação de conteúdo na escola. E depois que saí da escola, comecei a ver que existem muitas formas dos professores organizarem o conteúdo de forma a relacionar melhor as coisas e facilitar o aprendizado dos alunos.

Como ouço muita gente dizer que tem dificuldade em uma ou outra matéria, comecei a me questionar dos porquês de eu não me lembrar de ter esse tipo de dificuldade – talvez eu tivesse, mas não foi nada tão marcante quanto para os meus amigos. E daí  eu comecei a perceber que eu consigo enxergar tudo como expressões matemáticas.

Ok! Nem tudo, mas isso me ajuda em muitas coisas. Por exemplo, a ter facilidade com o estudo de idiomas. Eu consigo analisar uma frase com os mesmos olhos que eu analiso uma expressão matemática. Daí as regras ficam fáceis. Quer ver?

  • Matemática e Português possuem sintaxe
  • Os dois possuem regras de análise e solução de um problema. E também possuem as exceções (ou regras especiais)
  • Em ambos temos um padrão a ser seguido. No português, existe a ordem correta das “partes” na oração; na matemática, a ordem correta das operações.
  • Em ambos, podemos quebrar uma expressão em partes menores, para entender a expressão toda.
  • Em ambos, podemos alterar a ordem das partes de uma expressão, sem alterar seu resultado, seguindo regras simples.
  • Em português também temos o equivalente a “operação inversa” (antônimos, flexões verbais, etc)

Assim como a matemática é universal, a estrutura idiomática também é universal (para o mesmo grupo, ok?). Então, se você já conhece português, aprender espanhol, italiano, inglês, francês, alemão (todas do mesmo grupo) é mais fácil do que aprender árabe, japonês ou mandarim (grupo idiomático totalmente diferente). Isto porque a maioria dos idiomas ocidentais (pelo menos os mais populares) possuem estrutura muito similar (sujeito, predicado, advérbio, adjunto adnominal) e flexões verbais parecidas. Se você conseguir encontrar as similaridades, pode focar nas diferenças. E daí, tudo fica mais simples, porque você não precisa aprender do zero, afinal, algum idioma você fala desde pequeno, certo?

Então, a ideia aqui é mostrar uma forma diferente de encarar o estudo do idioma e mostrar aos poucos como simplificar o uso de coisas que são consideradas complicadas no nosso português escrito. Pensei em falar de coisas pequenas, como uso da vírgula, flexões verbais comuns, e coisas parecidas.

Antes de mais nada, não sou professora de português. Sou analista de sistemas por profissão, apaixonada por idiomas, estudante eterna. Vou procurar sempre colocar referências de sites e livros que falam sobre as regras que eu estiver comentando. A metodologia de aprendizado é minha, por isto não há referências. Com certeza não inventei a roda aqui, mas nunca li nenhuma teoria que falasse exatamente disto (ficaria feliz de conhecer, se ela existir).

Leitura complementar:

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