Ética, moral e outras coisinhas

Ontem tive uma conversa muito produtiva com dois amigos pelo facebook (e está pública em um post) sobre as questões de moral e ética que deveriam nos nortear. Me inspirei a escrever este post.

Temos visto muita discussão nas últimas semanas acerca das mobilizações pelo país. Alguns processos que estão em trâmite no congresso se tornaram foco de acirradas discussões, uma com desfecho esperado ontem (PEC-37). A mais nova que está circulando é a questão de segurança das urnas eletrônicas.

Ok, então vamos discutir mecanismos de eleição no Brasil. Quando este tema vem à pauta o que geralmente surge?

“Curral eleitoral”, “Coronelismo”, “Compra de votos”, “Voto nulo”, “Baixa consciência política da população”, “Sempre os mesmos são eleitos”, e por aí vai.

Lembro-me da época da eleição em papel. Longas filas nas seções eleitorais, o dia todo. Dias e mais dias de convocados pelo Tribunal Eleitoral contando e recontando as cédulas, dias esses de voluntariado dessas pessoas e com direito a número igual de folga pago pela empregadora. Inúmeros fiscais dos partidos conferindo voto a voto a contagem, fazendo levantes quando havia suspeita de fraude, reiniciando a contagem.Lembro-me quando propuseram a urna eletrônica. A proposta era maravilhosa e vimos os resultados: redução significativa das filas nas seções eleitorais, rápida conclusão da apuração de votos, menor tempo gasto dos convocados em trabalhos eleitorais, menor número de fiscais dos partidos, menos tumulto e mais agilidade na denúncia de possíveis fraudes.

Agora vamos focar na segurança. O que tem-se falado sobre a urna eletrônica?

1. Alteração dos votos em favor de outro candidato.

Isto era o que mais acontecia nas urnas em papel. Quantas vezes não houveram denúncias de cédulas sendo queimadas, urnas inteiras extraviadas, fiscais e mesários alterando os números do candidato do legislativo na urna (o famoso 3 vira 8, etc).

2. Interceptação da transferência eletrônica dos votos

Os hackers estão aí para provar que sempre existe um jeito de interceptar um sinal. Não importa o quão segura é sua conexão, se ela está passando por um canal público, há a possibilidade de alguém conseguir interceptar, descriptografar e até alterar o conteúdo.

Com a urna tradicional o problema era o mesmo, e por isso que tinha uma guarda pesada para transportar as urnas da seção para o TRE fazer a contagem. Com carro blindado e tudo!

Daí chego onde eu queria: o problema é a urna eletrônica ou o problema é que não existe mais moral e ética?

Quando a pessoa não tem ética ou moral questionável, não importa o meio: ela sempre encontrará um meio de burlar o sistema e tirar vantagem disto. O fato de ser possível interceptar a transferência dos votos eletronicamente e alterá-lo não significa que alguém fará isto. E se fizer, a questão é a segurança do sistema ou a falta de moral do autor do ato?

Ok, pode ser muita ingenuidade, mas a questão é o que já comentei por aqui esses dias: não tem solução enquanto as pessoas não assumirem a responsabilidade ética pelo que fazem.

Esta semana também saiu uma sentença condenando o TelexFree. Li um amigo meu escrever sobre isso e concordo: dinheiro fácil, todo mundo quer, mas você já pensou que se o dinheiro está vindo para você, ele está saindo de algum lugar? E de onde ele sai? É de alguém pagando. No médio e longo prazo, alguém está tomando prejuízo para você lucrar. É a máxima do capitalismo! O dinheiro circula. Ele sai do bolso de alguém para cair em outro bolso. Para alguém ficar rico com a pirâmide, alguém está perdendo sua casa, carro, investimentos e sabe-se mais o que.

E aí? É certo fazer isso?

Não me canso de dizer: para mudar o que queremos no país, precisamos começar no menor nível, precisamos mudar a nós mesmos! Aumentar o nível de moral, tornar mais rígida a linha que separa o certo do errado. O ambiente nos molda, é verdade, e muitas vezes, mesmo o que não consideramos muito ético e que até dizemos que não condiz com nosso código moral, começa a ser aceito como natural pela comunidade e nos perdemos.

Precisamos ser mais honestos conosco. Não nos deixar corromper mesmo no nível mais simples. Temos que pensar no impacto que nossas decisões tem na vida de outras pessoas. Eu participo do Rotary Club na minha cidade e leio sempre a prova quádrupla:

Do que nós pensamos, dizemos ou fazemos.

  1. É a VERDADE?
  2. É JUSTO para todos os interessados?
  3. Criará BOA VONTADE e MELHORES AMIZADES?
  4. Será BENÉFICO para todos os interessados?

É um código muito simples, mas extremamente profundo. Muita gente não se faz essas perguntas (ou outras deste tipo) quando tomam decisões. E isto vale para toda decisão que você tomar! Não é só para um projeto gigantesco, mas também para as decisões do dia-a-dia.

Estamos passando por um momento de quebra de paradigma e de revisão de nosso conjunto moral. Quando fizer algo, não aja por impulso, analise se o que você está fazendo está realmente de acordo com sua moral. Reflita qual é o conjunto moral que te guia. Todos tem um. Os que se corrompem, ou que corrompem seus pares, tem um conjunto moral distorcido ou inexistente.

Vamos ampliar a discussão, sair do meio comum, olhar para dentro de nossas casas, de nós mesmos. Será que estamos fazendo o correto? O que eu falo, prego e defendo, é o mesmo que eu aplico a mim mesmo? O que eu estou cobrando de meus pares e de meus governantes é uma regra que eu aplico a mim mesmo, que eu sigo?

Pense grande, mas pense também pequeno. São as coisas básicas do dia-a-dia. É o famoso pensamento do “é tão pequeno, que não vale a pena”. É o conformismo. É o aceitar uma fraude só porque “todo mundo faz”. É o errar, se desculpando de que não é feliz fazendo o certo. É querer tirar vantagem do mais fraco, do inocente, do incapaz. É ser covarde de não assumir uma posição, mas virar uma fera indomável se tiver mais 20 junto contigo.

Tome atitude, defenda o que achar que é certo, refute o que for errado. Mas seja, antes de tudo, fiel a si mesmo, a seu conjunto moral. Seja ético. Ninguém é sozinho e toda ação tem reflexo aos que estão ao seu redor. Pense neles também. Reveja e amplie sua moral e sua ética. Seja fiel a ela e digno das pessoas que estão a seu redor e confiam em você.

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