Acorda Brasil: Qual o real objetivo disto tudo?

Estava atuando somente como observadora deste movimento mas hoje comecei a me movimentar e me posicionar. Coloquei o seguinte texto no Facebook e não quero que se perca:

“Estou lendo muito sobre as manifestações que estão ocorrendo no país inteiro e chegaram até a mobilizar brasileiros no mundo todo. Tem muita coisa pra fazer, todos tem muito o que pensar e decidir o que realmente quer para nosso país. As manifestações são muito válidas, mas alguém aí está pensando em como será “amanhã”? O que vai acontecer quando o gas dessa galera que iniciou os protestos acabar? O que realmente vamos fazer? Estamos realmente mudando? Vamos nos indignar com as pequenas coisas na mesma proporção que nos indignamos com as grandes? Vamos reclamar todas as vezes que o supermercado enganar no preço? Vamos reclamar sempre que nos venderem um produto com defeito? Vamos acompanhar o legislativo municipal, estadual e federal está fazendo? Vamos por em prática nossa constituição que diz que nosso país é uma “República Federativa”? Vamos nos manifestar, sim. Mas não vamos deixar isso morrer novamente. Pois é isso que aqueles que estamos reagindo contra estão esperando de nossa parte.”

Esta é uma bandeira que eu levanto há muitos anos. Falta objetivo. Falta nacionalismo. Sobra imediatismo no brasileiro, mas falta energia para prosseguir e chegar numa solução real.

Sempre comento que o brasileiro é imediatista, que as ações são sempre para resolver algo no “aqui, agora”.  E o futuro? O que estamos fazendo pelo futuro?

Quando o governo lançou a política de cotas nas universidades e também a bolsa me indignei. Não porque as pessoas não mereçam, mas e o investimento em educação básica? Não, isso demora muito para dar resultado. É melhor eu colocar 70% dos jovens com 18 anos na faculdade hoje do que garantir que 100% dos jovens daqui a 20 anos tenham a mesma chance de cursar o ensino superior. Ensino superior que está com a imagem distorcida. Porque a Universidade não existe mais no Brasil (com raras exceções). O que temos hoje é um monte de cursos (faculdades), que trabalham isoladamente formando uma série de “profissionais” que não sabem pensar no todo, não tem visão global. Cadê o conceito da universalidade de formação? E a formação “acadêmica”? Onde estão os pensadores do país, os pesquisadores que trabalham anos em uma pesquisa que tenha impacto na produção do país?

Por que não, então, ao invés de colocar todo mundo na faculdade, aumentar o número de vagas de nível técnico e tecnológico, que é a massa crítica que precisamos para o país se desenvolver? Por que não investir na formação básica (infantil e fundamental) para que os futuros jovens saibam pensar por si, tenham senso crítico, visão crítica do sistema?

Não é só porque o governo quer assim. Não é só porque dessa forma “o povo é mais manipulável”. É porque quem tem o poder de decisão (é, nas urnas, mesmo) decide o que ele acha que é bom agora: um prato de comida agora; o ônibus agora; o médico no posto de saúde agora. E quando você pergunta para este cidadão: tá, mas e a escola do seu filho? A resposta pode ser: “não tenho filhos, quem tenha que se preocupe” ou a que eu mais gostei quando ouvi: “meus filhos já se formaram; agora o problema é seu.” Pois é, Brasil. Agora o problema é nosso! Quado vamos assumir a resposabilidade e agir?

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