Livros 2012: #3 Mein Kampf

Já faz bem uns três anos que comecei a ler este livro. Li vários capítulos na sequência. Cheguei numa parte extremamente nauseante e tive que parar. Voltei depois de uns meses, cheguei em outra parte terrível e parei novamente. Esses dias, olhei ele na estante e vi que só faltavam 2 páginas para terminar. Resolvi finalizar. E como resolvi escrever aqui sobre todos os livros que li, aqui vai este também.

Quais foram as motivações para ler este livro? Sempre fui fascinada por história, especialmente as grandes guerras. Quando tinha 12 anos, li pela primeira vez o livro “Diário de Anne Frank”. Na época, fiquei sabendo do livro Mein Kampf, mas nenhuma biblioteca tinha exemplar e nenhuma livraria tinha para vender. Fácil de entender o porquê. Minha curiosidade era entender a lógica de Hitler, com suas palavras.

Conhecemos a história que nos contam. Existe um ditado que diz que a “história é escrita por aqueles que vencem as guerras”. Gosto de ouvir os dois lados e, sinceramente, filmes e livros só contam a visão dos aliados.Depois de muitos anos procurando, fui encontrar um exemplar novo na livraria Maciel, em Campo Grande. Nem pensei duas vezes. Comprei o livro. Comecei a ler imediatamente. Ele é dividido em dois volumes. No primeiro, Hitler conta brevemente sua história pessoal e como começou a se envolver com os sindicatos. A intenção é mostrar suas raízes e justificar muitos de seus comportamentos nacionalistas.

O segundo volume é dedicado à explicação detalhada das bases do nacional socialismo. Hitler explica as bases éticas do partido, a  missão e seus valores.

A parte nauseante não é o que ele conta. Apesar de ele contar, em 1922, sobre todas as suas ideias de como resolver os problemas da Alemanha (social, político e econômico), com todos os detalhes, incluindo campos de trabalho, deportação em massa, exterminação dos impuros e inválidos. O problema é exatamente ele ter exposto todo o rol de ideias em 1922! Todos os estadistas sabiam em 1933, quando Hitler se tornou chanceler, quais eram exatamente seus planos. O que me deixou enojada foi saber que nada foi feito para evitar tudo o que ele fez.

A curiosidade literária está satisfeita. Este é mais um livro que eu vou guardar na estante e nunca mais ler. A lembrança das previsões descritas e da real execução poucos anos após ainda vai perdurar por muito tempo em minha mente. A revolta que senti durante a leitura me fará procurar mais informações sobre os estadistas da época, o que eles estavam fazendo e porque nada fizeram para impedir que a segunda grande guerra ocorresse – ou quais motivos políticos os fizeram deixar tudo correr livremente. Sei que foi uma época de turbulências: crise econômica de 1929, guerra civil espanhola, fascismo na itália, muitos regimes ditatoriais na América, recuperação da Europa devido à primeira grande guerra. Mas isto não justifica a inércia que levou ao caminho natural da segunda guerra.

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