Palavra que define: Exótico

Outro dia eu estava no meio da rua, coisas de sempre ocorrendo, e me veio na mente a palavra “Exótica”. Pois é. Naquele momento achei que era a palavra que reunia a definição exata para explicar porque eu sentia aquelas coisas.

Exótico não significa bonito ou feio, mas sim algo tão fora do comum para os padrões locais que chama a atenção. Certo?

Eu SEMPRE falo para todos que queiram ouvir que eu AMO morar aqui. Não consigo explicar exatamente o porque. É um conjunto de coisas tão imenso, tantos sentimentos, que não consigo expor exatamente em palavras. Ontem me perguntaram de novo e eu realmente não sei explicar. É um conjunto de coisas. No começo, era o clima da cidade, a sensação de tranquilidade que ela transmite, o rol de oportunidades que se abria à minha frente. Agora é toda a vida que eu construi aqui. Os amigos, os conhecidos, as possibilidades todas que tem surgido.

Claro que desde o começo teve a dificuldade de se adaptar à cultura local. Ainda sinto alguma dificuldade com as pessoas pois são extremamente fechadas, desconfiadas. E isto me remete ao início do post. Aqui eu sinto uma coisa que eu não sentia em Campinas. As pessoas me olham na rua, como se soubessem que não sou daqui.

No começo eu me incomodava, e tentei por um tempo me “camuflar”. Eu não gosto de chamar a atenção. Tento sempre ser “invisível”. Mas parece que eu não consigo. Porque ao mesmo tempo que não quero aparecer, eu também não consigo ficar de fora das coisas, então acabo surgindo nas conversas. Sou um tanto entusiasta também, o que acaba me fazendo aparecer muito. E no fim não consigo ser tão invisível quanto eu gostaria.

Agora, acho que já aceitei isto. Tenho meu próprio estilo. E se as pessoas acham isso diferente e olham.. e daí? Tá, às vezes é chato. Entrar no ônibus e as pessoas te olharem de cima a baixo. Quantas vezes já me peguei me olhando pra ver se tinha algo errado!😛 É, vai que a roupa está do avesso ou algo assim, né?

Não sei exatamente o que é que eu tenho que chama a atenção. É meu estilo de me vestir? É o jeito que eu ando? Não sei ao certo, e não perco muito tempo pensando nisto.

Esta semana estou lendo um livro e um dos exercícios que ele propõe é exatamente o que eu faço desde sempre, e que aprendi com minha avó: sorrir e cumprimentar as pessoas na rua, em casa, no ônibus, no mercado, no escritório. Sempre fiz isso e continuo fazendo. Meus vizinhos não me cumprimentavam de volta até pouco tempo atrás. Agora alguns deles já me retribuem o “Bom dia”. Alguns até já me convidam pro tereré ou trocam algumas palavras a mais. Na rua, a maioria das pessoas me olha desconfiada quando eu cumprimento ou sorrio. Quase ninguém sorri de volta. Isso me intriga mas não me incomoda.

Quando eu estava nos EUA, uma coisa que achei estranho é que, quando eu sorria pra uma criança, ela não sorria de volta. Achei intrigante, porque geralmente as crianças sorriem de volta. Criança é bem mais espontânea que adulto. Mas depois, fiquei pensando. Raramente vi pessoas sorrindo nas ruas por lá. Uma pessoa até me perguntou porque eu sorria tanto (no trem, indo pra Philly, conto essa depois). Fiquei um pouco intrigada, mas a minha irmã disse que os americanos acham estranho o brasileiro sorrir tanto. Se eu não sorrir, vou fazer o que? Chorar? Terrível isso, hein?

Por pior que estejam as coisas, por mais que você ache que está ruim, sempre cabe um sorriso!

Bem, e já que eu chamo a atenção mesmo, provavelmente a mistura do modo como me visto e do meu comportamento, parei de me preocupar tanto com isso. Uso chapéu e a maioria acha super estranho. Cumprimento as pessoas, e elas desviam o olhar, não respondem, fingem que não ouviram ou se mostram surpresas como se não tivessem entendido ou se estivessem se perguntando de onde me conhecem.

O que me leva à música, que foi trilha sonora do filme Shrek:

Eu acho (espero) que não tenha uma má reputação hahaha Mas tem duas frases bem legais e que vão de encontro com o que estou falando:

You’re living in the past it’s a new generation
And a girl can do what she wants to do
And that’s what I’m gunna do

I’ve never been afraid of any deviation
And I don’t really care if I’m strange
I ain’t gunna change

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