Aventuras: Pantanal

Após alguns meses de participação no CS, ajudando o pessoal a encontrar passeios bacanas no pantanal, contactando agências, mas nunca tendo feito o passeio myself, minha mãe conseguiu uma viagem cortesia para mim ao Pantanal com a Ecological Expeditions. Tudo ajeitado, combinei com eles no feriado de 7 de setembro de 2010. A van sairia as 10h no sábado e chegaria no Buraco das Piranhas no meio da tarde, onde um caminhão nos levaria até o acampamento. Minha hospedagem era no redário e estava tudo incluso: alimentação e passeios. Só o passeio a cavalo que não estava no pacote e o transporte de volta, que ocorreria no dia 7, terça-feira.

Tudo pronto, e já com uma experiência de relatos de CSers que fizeram o passeio, coloquei na mala meu saco de dormir e agasalhos para a noite. A temperatura média durante o dia girava em torno de 30ºC, mas à noite caía pra faixa dos 8ºC. Então foi uma boa ter levado o saco de dormir. Era realmente cômico. Bermuda, camiseta, cabelo preso, repelente e protetor solar durante o dia; à noite, moletom, saco de dormir e duas mantas.

Como chegamos no sábado, éramos o único grupo que estava no local. O acampamento estava praticamente vazio. Acho que só tinha mais um grupo por lá que tinha chegado um dia antes. Ficamos com um guia muito ruim, mas ainda assim o passeio valeu. No meu grupo tinha mais 6 moças, todas inglesas, então o inglês virou primeiro idioma durante esses dias de passeio.

Chegamos no acampamento depois das 17h, porque saímos meio tarde de CG. Então não deu pra fazer nenhum passeio nesse dia. Fica a dica: passeios no Pantanal saindo de CG, o primeiro dia é perdido, a não ser que você dê sorte de chegar numa noite que tenha Safari Noturno. Não foi meu caso. Como não tinha muito o que fazer, nosso guia nos levou para o rio próximo do acampamento para vermos o pôr-do-sol. Coisa beem rápida. Nos ajeitamos no acampamento, jantamos e ficamos jogando baralho.

Sem muita iluminação, tudo à base de nossas lanternas, fomos um pouco até a fogueira, admirar o céu. No meio do nada, até a Via Láctea conseguimos ver. Realmente admirável. Faz muito tempo que eu não estudo o céu, então eu já não lembrava mais os nomes das constelações, posição no céu, etc, mas garanto que se consegue ver todas! E também os planetas. Esses eu sei, então consegui localizá-los.

O nosso alojamento não tinha paredes de concreto. Quer dizer, era uma parede de aproximadamente 1m, e acima disso era telas tipo mosquiteira. Por um lado isso era bom, porque ventilava bem durante o dia e impedia os mosquitos de entrar. Por outro lado, era um gelo à noite. Mais uma vez, agradeço por ter levado o saco de dormir. A rede foi arrumada da seguinte forma: coloquei uma manta cobrindo a rede, entrei no saco de dormir e coloquei outra manta por cima. Detalhe que eu estava de moletom. Ainda assim, houveram momentos em que acordei com frio durante a noite. Mas o silêncio do local é insuperável. Como o alojamento não tinha muitas paredes, quando o sol nascia era acordar de imediato. Então eu vi o sol nascer praticamente todos os dias. Também tem o fato de que não fazíamos muita coisa para gastar energia durante o dia, então não ficava muito cansada. E também ia dormir cedo. Tudo isso contribuiu para que eu acordasse todos os dias bem cedo. Daí o que eu fazia era ficar enrolando na rede ou sair do alojamento para ver o sol nascer.

No segundo dia, acordamos cedo, tomamos café da manhã e começamos a nos preparar para o primeiro passeio. Só o café, e o clima do acampamento já era o suficiente para mim. Se não tivesse os passeios nem ficaria brava. Sem sinal de celular, isolado do mundo, araras, periquitos e vários outros pássaros visitando o acampamento o tempo inteiro, o céu à noite… só isso já retirou vários meses de estresse da minha cabeça. Precisava fazer um passeio para um lugar desses com mais frequência.

O primeiro passeio foi uma caminhada na mata. Não tem mata fechada por lá, então havia algumas “ilhas” de árvores em meio à grandes espaços de vegetação rasteira. Era setembro, a seca tinha sido bem forte, então estava tudo muito seco e era possível caminhar tranquilamente. Avistamos muitos pássaros e mamíferos nesse passeio, em especial quatis, que não são típicos da região, mas abundam por aqui. Outra dica importante: levar snacks para as trilhas e muita água. Mais outra importante: mesmo que te digam que a trilha é tranquila, vá de TÊNIS e CALÇA! As inglesas que estavam comigo foram de mini-short e chinelos e não gostaram do resultado. A trilha é realmente tranquila, porém tem barro e tem muita vegetação seca, que arranha legal as pernas. Resultado é que eu cheguei limpinha e sem machucados. Elas chegaram com os pés todos enlameados e as pernas arranhadas. Ah, e os mosquitos também não perdoam. E o sol era de rachar.

Bem, voltamos ao acampamento para o almoço e o guia nos disse que as 14h iríamos fazer o passeio de barco. Acho que turista só curte mesmo jacaré, porque foi a única coisa que o guia fez questão de mostrar. Eu como sou mais de mato, tirei muitas fotos bonitas do rio, das árvores e das aves. E claro, uma perto do jacaré porque não podia deixar de ter essa😉

Descemos bem o rio. Mas chegou num pedaço que o motor do barco falhou e não queria mais ligar. Eu não estava muito preocupada. Paramos perto de um outro acampamento onde havia alguns pescadores. Ficamos parados ali no barco, puxei conversa com os pescadores e descobri que eles eram de Campinas! Olha que coincidência. E para aumentar a coincidência, um deles trabalhou na Modelo, onde eu costumava comprar sapatos desde que nasci. Daí é fácil ter papo, né? Nem vi o tempo passar. Motor bom de novo, seguimos o passeio. Descemos mais um pouco o rio e o guia achou melhor voltarmos. E não é que o barco falhou de novo? Sorte novamente, o grupo de Campinas nos resgatou e guinchou até nosso acampamento. Mas daí o sol já tinha se posto. Foi até legal porque pude ver o sol se por no rio.

Chegando ao acampamento parecia até que era outro lugar. Várias pessoas haviam chegado naquela tarde e o acampamento lotou. Com tanta gente assim, fomos no Safari noturno. Ah, mas o ótimo foi que não avistamos nem capivara. Tava um gelo! Até me arrependi de ter ido. Não vimos nada e ainda passamos muito frio. Na volta, direto pra cama! Só tomei uma ducha quente porque tava realmente gelada do vento.

Manhã do dia seguinte, nos levaram para o Safari diurno. Minha sorte é que tinha um casal de ornitólogos no meu grupo, que chegou no dia anterior e ainda por cima estavam no mesmo alojamento que eu. Porque meu guia era muuuito ruim. Não falava nada, não explicava muito. Aff. Mas o casal me mostrava os pássaros, me explicava muita coisa. Eles eram venezuelanos, mas moram em Barcelona. Conversamos muito e eles me deram várias dicas de observação de pássaros. Oportunidade para meu espanhol😉

À tarde, era momento da famosa pesca de piranhas. Ridículo. Muito fácil. Eles colocam esse passeio porque qualquer um, literalmente qualquer um, consegue pescar piranha. É só colocar um pedaço de carne crua no anzol, jogar pra água e puxar. Simples assim. Para quem gosta de pescar, não tem graça nenhuma. O bom desse passeio foi ver as ariranhas pescando também. Me arrependo de não ter fotos.

Mais um fim de dia e sabendo que o próximo seria o último. Já comecei a ficar triste, mas aproveitei mais um pouco a fogueira e o céu. Conversei com várias pessoas do grupo, fiz mais alguns contatos. Meu retorno pra casa estava marcado para a terça depois do almoço, então eu ainda podia fazer alguma coisa de manhã. Só que o passeio a cavalo eu ainda tinha que pagar. Mas minha sorte é que o guia do grupo dos ornitólogos me convidou para fazer a caminhada com eles. Foi ótimo. Esse guia mostrou várias coisas, conversou, deu dicas. Eu fiquei o tempo todo conversando com ele. Aproveitei demais o passeio. O que foi bom, porque tirou a má impressão que eu fiquei do primeiro passeio. É interessate como o nosso nível de criticidade é diferente quando somos locais. Eu esperava um passeio muito mais informativo e que eu pudesse ver muito mais coisas. As inglesas estavam super satisfeitas e acho que até acharam que três dias foi muito.

Voltamos do passeio, almoçamos e comecei a me arrumar para ir embora. Triste…

A volta foi tranquila. Duas das inglesas iam para Bonito e outras duas iam para Foz. Deu um rolo danado nas passagens delas para Foz e eu fui até a rodoviárias para ajudá-las. Claro que elas queriam uma passagem direta, mas o problema é que não tinha. Então conseguimos uma passagem que tinha uma parada, mas orientei elas como fazer na troca do ônibus. Dois dias depois elas me mandaram um e-mail avisando que tinha dado tudo certo. Que bom🙂 O motorista da van morava perto da minha casa e acabou me dando carona, assim não precisei pegar ônibus ou taxi no feriado as 21h.

Cheguei cheia de histórias para contar. Levei livro, cruzadinha e no final não fiz nada. Viagem muito produtiva, relaxante. Disse e reitero: só de ficar no camping, ouvindo os pássaros e admirando o céu noturno já valia a viagem. Ainda vou ter uma chácara ou sítio num lugar assim…

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