Poemas: Bocage

Ah, estou no aeroporto, fazendo hora pro meu voo e vejo esse na livraria: Bocage. Há anos que procuro um poema do Bocage que estudei na aula de literatura no colegial. Comprei já várias antologias poéticas dele e ainda não encontrei. Tentei essa. Não foi dessa vez. Mas tinha esse poema bonitinho:

Notando insensibilidade na sua amada

A frouxidão no amor é uma ofensa,
Ofensa que se eleva a grau supremo;
Paixão requer paixão; fervor, e extremo;
Com extremo e fervor se recompensa.

Vê qual sou, vê qual és, vê que dif’rença!
Eu descoro, eu praguejo, eu ardo, eu gemo;
Eu choro, eu desespero, eu clamo, eu tremo,
Em sombras a razão se me condensa;

Tú só tens gratidão, só tens brandura;
E antes que um coração pouco amoroso
Quisera ver-te uma alma ingrata, e dura;

Talvez me enfadaria aspecto iroso;
Mas de teu peito a lânguida ternura
Tem-me cativo, e não me faz ditoso.

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